quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu prefiro ser

Ser a mais nova de 10 filhos nunca foi tarefa fácil. Sempre fui a pirralha e ser levada a sério sempre foi difícil. No entanto, apesar de quase nunca ser vista, sou a rebelde da família. Talvez por essa necessidade de me reafirmar gente pros outros e principalmente para mim mesma, sempre fiz tudo diferente.
Vinda de uma família bastante fechada e tradicional, tive sempre que me reinventar e me esquivar da repressão que tentava me por em um potinho, e assim o fiz e aprendi a fazer. Aprendi a não ter as tais tradições como verdades absolutas e resolvi criar as minhas próprias verdades, e nessa busca incessante e eterna por mim mesma, me achei pessoa, me reconheci mulher, e enxerguei os papéis que assumo perante a sociedade e diante da vida, mas ainda assim, nunca cansei de me procurar.
E a melhor forma que encontrei para isso sempre foi escrever, uma de minhas paixões. Bem ou mal, escrever de tudo, pois é assim, no papel ou na tela do computador, que me acho mais eu, e foi assim também que descobri um meio de fazer com que as pessoas à minha volta me conhecessem melhor. Fechada e introspectiva como sempre fui, amigos de anos e familiares conseguem assim, me lendo, me penetrar de uma forma jamais alcançada.
No meio de toda essa confusão de identidade, aprendi o que, na minha opinião, é o que se pode saber de mais importante para o crescimento, os terapeutas o chamam de "auto-conhecimento", eu prefiro chamar de "perceber-se", não que seja algo concreto mas só de buscá-lo, encontra-se muito.
Percebi então que saber quem sou é algo deveras utópico e de certa forma desnecessário, pois se é a cada dia um outro tipo, um outro ser com outro calibre, renovável, inventável e, por tanto, ter certeza de qualquer coisa na vida é apenas uma mera ingenuidade. Logo, descrever-me seria algo imprudentemente mentiroso. Prefiro deixar assim entre o mistério e a expectativa, que fazem de mim, assim como de todos, a fabulosa "metamorfose ambulante" de Raul.